Em consultório, escuto com muita frequência frases como: “Eu prefiro não falar nada para não gerar conflito… mas depois fico irritado e solto uma indireta.” Ou então: “Eu até concordo na hora, mas por dentro fico com muita raiva.”
Esse tipo de relato é mais comum do que parece — e não tem a ver com falta de maturidade, caráter ou “drama”. Na maioria das vezes, estamos falando de dificuldades na comunicação assertiva, especialmente quando a pessoa oscila entre engolir o que sente e expressar isso de forma passivo-agressiva.
Como psicólogo especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), observo diariamente o impacto que esse padrão gera nos relacionamentos, no trabalho, na autoestima e na saúde emocional. A comunicação passivo-agressiva cria conflitos silenciosos, ressentimento acumulado e uma sensação constante de não ser compreendido — mesmo quando a pessoa “fala”.
Neste artigo, vou explicar de forma clara e profunda o que é comunicação assertiva, por que tantas pessoas acabam sendo passivo-agressivas sem perceber, e como desenvolver uma forma mais saudável, direta e respeitosa de se expressar, com base na psicologia e na prática clínica.
O que é comunicação assertiva?
Comunicação assertiva é a capacidade de expressar pensamentos, sentimentos, necessidades e limites de forma clara, direta e respeitosa, sem agressividade e sem submissão. Ela permite que a pessoa se posicione emocionalmente, preserve seus relacionamentos e reduza conflitos desnecessários.
Ser assertivo não significa ser duro, rude ou impulsivo. Também não significa “falar tudo o que pensa”. Comunicação assertiva envolve consciência emocional, clareza cognitiva e responsabilidade relacional.
Os três principais estilos de comunicação
Na psicologia, especialmente no campo das habilidades sociais, costumamos dividir a comunicação em três grandes estilos. Entender essas diferenças é essencial para perceber onde você costuma se posicionar.
Comunicação passiva
A comunicação passiva é marcada pela evitação do conflito e pela dificuldade de expressar necessidades e limites.
Características comuns:
• Medo intenso de desagradar
• Dificuldade em dizer “não”
• Tendência a concordar mesmo discordando
• Acúmulo de frustração e ressentimento
Exemplo clínico comum: A pessoa aceita tarefas extras no trabalho, mesmo sobrecarregada, e diz “tudo bem”. Depois, sente raiva, cansaço extremo e sensação de injustiça.
Comunicação agressiva
Na comunicação agressiva, a pessoa se expressa invadindo o espaço emocional do outro.
Características:
• Tom hostil ou acusatório
• Desqualificação do outro
• Dificuldade de escuta
• Tentativa de controle pela força verbal
É comum confundir agressividade com assertividade, mas elas são opostas. A agressividade rompe vínculos; a assertividade os preserva.
Comunicação passivo-agressiva
A comunicação passivo-agressiva é um padrão híbrido, muito comum e frequentemente inconsciente.
Ela surge quando a pessoa:
• Não se sente autorizada a se expressar diretamente
• Mas também não consegue sustentar o silêncio emocional
Manifestações típicas:
• Ironias e sarcasmo
• Indiretas
• Silêncio punitivo
• Frases como: “Imagina, não foi nada…”, “Tanto faz”, “Do jeito que você quiser”
No consultório, vejo que a comunicação passivo-agressiva costuma gerar mais desgaste do que conflitos explícitos, porque cria um clima constante de tensão e ambiguidade.
Por que a comunicação passivo-agressiva se forma?
Do ponto de vista da Terapia Cognitivo-Comportamental, a comunicação passivo-agressiva não é um defeito de personalidade, mas um padrão aprendido.
Crenças centrais disfuncionais
Muitas pessoas carregam crenças profundas como:
• “Se eu falar o que penso, vou ser rejeitado”
• “Conflitos destroem relacionamentos”
• “Minhas necessidades não são importantes”
Essas crenças moldam a forma como a pessoa se comunica.
Regras rígidas e condicionais
Exemplos comuns:
• “Eu não posso incomodar ninguém”
• “Ser uma boa pessoa é aguentar tudo”
• “Demonstrar insatisfação é sinal de fraqueza”
Essas regras levam à inibição emocional.
Esquemas iniciais desadaptativos
Na prática clínica, observo frequentemente a presença de esquemas como:
• Subjugação
• Auto-sacrifício
• Inibição emocional
Muitos pacientes cresceram em ambientes onde expressar sentimentos resultava em punição, crítica ou invalidação emocional. A comunicação passivo-agressiva surge como uma tentativa de proteção psicológica.
Comunicação assertiva na prática: Como se expressar de forma saudável
A boa notícia é que a comunicação assertiva pode ser aprendida e treinada.
Na TCC, utilizamos modelos estruturados para facilitar esse processo.
Estrutura básica da Comunicação Assertiva: Modelo em 4 passos
1. Situação: Descrever a situação de forma objetiva
2. Sentimento: Nomear a emoção sentida
3. Necessidade: Explicar a necessidade envolvida
4. Pedido: Fazer um pedido claro e possível
Exemplo prático:
“Quando isso acontece (situação), eu me sinto frustrado, (sentimento) porque preciso de mais previsibilidade (necessidade). Você poderia me avisar com antecedência? (pedido)”
Esse formato reduz ataques, aumenta a clareza e diminui reações defensivas.
Exemplos práticos do dia a dia
Relacionamento amoroso
Passivo-agressivo: “Tudo bem, sai com seus amigos… eu fico aqui sozinho mesmo.”
Assertivo: “Quando você muda nossos planos sem avisar, eu me sinto deixado de lado. Para mim, é importante combinar antes.”
Ambiente de trabalho
Passivo-agressivo: Silêncio, atrasos propositais ou ironias.
Assertivo: “Percebi que recebi mais tarefas essa semana. Podemos revisar as prioridades?”
Família
Passivo-agressivo: “Claro que eu vou, né… como sempre.”
Assertivo: “Eu me sinto sobrecarregado quando isso fica só comigo. Precisamos dividir melhor.”
Esses exemplos mostram que a assertividade não elimina o desconforto, mas o torna emocionalmente saudável.
O papel da Terapia Cognitivo-Comportamental no desenvolvimento da comunicação assertiva
Na prática clínica, trabalho a comunicação assertiva não como uma técnica isolada, mas como parte de um processo mais amplo de fortalecimento emocional.
Na TCC, utilizamos:
• Identificação de pensamentos automáticos
• Reestruturação cognitiva
• Treino de habilidades sociais
• Role-play em sessão
• Exposição gradual ao conflito saudável
O objetivo não é transformar alguém em uma pessoa confrontadora, mas em alguém que se respeita emocionalmente.
Quando buscar ajuda profissional?
Se você percebe que:
• Evita conflitos a qualquer custo
• Usa ironia ou silêncio para expressar insatisfação
• Sente culpa ao se posicionar
• Vive com ressentimento acumulado
A psicoterapia pode ajudar de forma profunda e estruturada.
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Comunicação assertiva não é sobre vencer discussões ou agradar a todos. É sobre aprender a se posicionar sem se agredir e sem agredir o outro.
Se expressar sem ser passivo-agressivo é um processo — e processos podem ser aprendidos, treinados e fortalecidos com apoio psicológico adequado.
Se você sente que chegou a hora de mudar a forma como se comunica e se relaciona, a psicoterapia pode ser um caminho seguro e transformador.
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Perguntas Frequentes sobre Comunicação Assertiva
1 - Comunicação assertiva é o mesmo que ser direto demais?
Não. Comunicação assertiva envolve clareza com respeito, enquanto ser “direto demais” muitas vezes ignora o impacto emocional no outro.
2 - Como parar de ser passivo-agressivo sem gerar conflito?
Aprendendo a expressar emoções e necessidades de forma direta, antes que o ressentimento se acumule.
3 - Pessoas tímidas conseguem ser assertivas?
Sim. Assertividade não depende de extroversão, mas de consciência emocional e treino.
4 - Comunicação assertiva funciona em relacionamentos difíceis?
Funciona como ferramenta, mas não garante que o outro mudará. Ela protege sua saúde emocional.
5 - Terapia ajuda a desenvolver comunicação assertiva?
Sim. A Terapia Cognitivo-Comportamental é uma das abordagens com maior evidência para esse desenvolvimento.
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DR. OSVALDO MARCHESI JUNIOR
Psicólogo em São Paulo - CRP - 06/186.890
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Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Hipnoterapia.
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