Quando o emagrecimento rápido vira um risco emocional silencioso
Nos últimos anos, as chamadas canetas de emagrecimento deixaram de ser um recurso restrito ao tratamento médico da obesidade e passaram a ocupar um lugar central nas conversas de redes sociais, grupos de WhatsApp e consultórios. Em muitos atendimentos, escuto frases como:
“Doutor, eu emagreci… mas agora tenho medo de parar.”
“Sem a caneta, sinto que vou perder o controle.”
“Meu corpo mudou, mas minha cabeça não acompanhou.”
Como psicólogo especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), meu objetivo neste artigo é ir além do debate superficial sobre emagrecimento. Quero falar sobre algo que costuma ficar invisível: os riscos psicológicos do uso indiscriminado das canetas de emagrecimento.
Este texto é para você que:
• Está usando ou pensando em usar canetas de emagrecimento
• Já emagreceu, mas se sente emocionalmente pior
• Vive com medo de engordar novamente
• Sente que sua relação com o corpo e a comida ficou mais rígida
• Quer entender, de forma séria e baseada em evidências, o que está acontecendo
O que são as canetas de emagrecimento?
Canetas de emagrecimento são medicamentos injetáveis, geralmente agonistas do receptor de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e outros, que atuam no sistema digestivo e no cérebro, promovendo sensação de saciedade, redução do apetite e alteração no comportamento alimentar.
Em contexto clínico, com indicação médica, elas podem ser ferramentas importantes no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
O problema surge quando o uso ocorre de forma indiscriminada, sem avaliação global da saúde física e psicológica, movido por pressões estéticas, comparação social ou sofrimento emocional não elaborado.
Essa diferença é crucial — e frequentemente ignorada.
Por que o uso indiscriminado das canetas de emagrecimento está crescendo?
Do ponto de vista psicológico, não estamos falando apenas de um medicamento. Estamos falando de um símbolo.
1 - Cultura da solução rápida
Vivemos em uma sociedade que promete resultados imediatos:
• Corpo ideal rápido
• Felicidade rápida
• Autoconfiança rápida
A caneta, nesse contexto, vira uma promessa silenciosa de alívio emocional.
2 - Pressão estética e redes sociais
Fotos de “antes e depois”, influencers, comentários comparativos e algoritmos reforçam a ideia de que o valor pessoal está diretamente ligado ao peso corporal.
Em terapia, isso aparece assim:
“Eu sei que não devia ligar… mas todo mundo parece melhor do que eu.”
3 - Falta de espaço para sofrimento emocional
Muitas pessoas nunca aprenderam a lidar com:
• Comer emocional
• Ansiedade
• Baixa autoestima
• Vergonha do corpo
A caneta surge como um atalho — mas emoções não resolvidas não desaparecem, apenas mudam de forma.
Uso indiscriminado: Quando a caneta deixa de ser tratamento e vira muleta emocional
Uso indiscriminado não significa apenas “usar sem receita”. Psicologicamente, significa:
• Usar para aliviar ansiedade
• Usar para evitar lidar com emoções
• Usar como única fonte de controle
• Usar apesar do sofrimento emocional crescente
E é aqui que começam os riscos psicológicos reais.
Principais riscos psicológicos do uso indiscriminado das canetas de emagrecimento
1 - Dependência psicológica: “Sem a caneta, eu não consigo”
A dependência psicológica não é química — é emocional e cognitiva.
Ela aparece quando a pessoa começa a acreditar que:
• Não tem autocontrole sem a medicação
• Vai engordar inevitavelmente se parar
• Seu corpo “só funciona” com a caneta
Exemplo clínico: Uma paciente emagreceu 12 kg. Quando o médico falou em reduzir a dose, ela teve crises de ansiedade. Não era medo do peso — era medo de perder o controle sobre si mesma.
Na TCC, chamamos isso de crença central de incapacidade.
2 - Ansiedade, medo de engordar e hipervigilância corporal
A perda rápida de peso pode gerar um paradoxo:
• O corpo muda
• A mente entra em estado de alerta
Muitos pacientes passam a:
• Se pesar compulsivamente
• Monitorar cada refeição com ansiedade
• Evitar situações sociais com comida
O emagrecimento, que deveria aliviar o sofrimento, passa a aumentá-lo.
3 - Insatisfação corporal persistente (ou agravada)
Um dos achados clínicos mais comuns é este:
O corpo muda, mas a insatisfação permanece.
Isso acontece porque a raiz do problema não está no peso, mas nas crenças sobre valor pessoal, aceitação e pertencimento.
Na prática:
• A meta de peso vira móvel
• A autocrítica aumenta
• A comparação social se intensifica
4 - Mascaramento de comer emocional e dificuldades de regulação emocional
Comer emocional não é sobre fome — é sobre emoção.
Quando a caneta reduz o apetite sem trabalhar:
• Estresse
• Tristeza
• Solidão
• Ansiedade
Essas emoções tendem a:
• Migrar para outros comportamentos compulsivos
• Reaparecer com força após a interrupção da medicação
Exemplo: Um paciente parou de comer por ansiedade, mas passou a comprar compulsivamente e a trabalhar de forma excessiva.
5 - Risco aumentado de padrões alimentares disfuncionais
O uso indiscriminado pode favorecer:
• Restrição alimentar excessiva
• Desconexão dos sinais internos do corpo
• Relação punitiva com a comida
Em pessoas vulneráveis, isso pode aumentar o risco de:
• Transtornos alimentares
• Ciclos de restrição e culpa
Como identificar sinais de alerta psicológico?
Sinais de que o uso da caneta pode estar causando sofrimento psicológico incluem:
• Medo intenso de interromper o uso
• Ansiedade constante relacionada ao peso
• Sensação de perda de controle sem a medicação
• Insatisfação corporal persistente
• Evitação social por medo de engordar
Se você se identificou com dois ou mais desses sinais, vale buscar ajuda psicológica.
O papel da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) nesse contexto
A TCC não é contra a medicação. Pelo contrário: ela ajuda a integrá-la de forma saudável.
Na prática, trabalho com:
• Identificação de pensamentos automáticos disfuncionais
• Reestruturação cognitiva sobre corpo e valor pessoal
• Treino de regulação emocional
• Desenvolvimento de autonomia psicológica
• Prevenção de recaídas após interrupção da medicação
Exemplo clínico: Um paciente acreditava: “Se eu engordar, ninguém vai me respeitar”. Trabalhamos essa crença — e o peso deixou de ser o centro da identidade dele.
Emagrecer não é só perder peso — é ganhar autonomia emocional
O grande risco do uso indiscriminado das canetas de emagrecimento não é o corpo. É a mensagem silenciosa que a pessoa internaliza:
“Eu só sou suficiente assim.”
A psicoterapia ajuda a construir outra narrativa:
“Eu posso cuidar do meu corpo sem me violentar emocionalmente.”
Quando buscar psicoterapia durante ou após o uso da caneta?
Você se beneficia da terapia se:
• Vive com medo de engordar novamente
• Sente ansiedade ou culpa ao comer
• Depende emocionalmente da medicação
• Quer interromper o uso com segurança psicológica
• Quer construir uma relação mais saudável com o corpo
Agende sua sessão de psicoterapia online
Se você percebe que o uso da caneta de emagrecimento trouxe alívio físico, mas sofrimento emocional, você não precisa lidar com isso sozinho(a).
Eu atendo online, com abordagem em Terapia Cognitivo-Comportamental, ajudando pessoas a reconstruírem sua relação com o corpo, a comida e consigo mesmas.
As canetas de emagrecimento podem ser ferramentas médicas importantes. Mas o uso indiscriminado carrega riscos psicológicos reais — e ignorá-los custa caro emocionalmente.
Se o seu corpo mudou, mas sua mente está em sofrimento, a terapia pode ser o próximo passo mais importante da sua jornada.
Agende sua sessão de psicoterapia online e comece a cuidar da sua saúde emocional com a mesma seriedade que cuida do corpo.
Perguntas Frequentes sobre os Riscos Psicológicos das Canetas Emagrecedoras
1- O uso indiscriminado de canetas de emagrecimento pode causar problemas psicológicos?
Sim. Pode gerar ansiedade, dependência psicológica, insatisfação corporal e dificuldade de regulação emocional, especialmente sem acompanhamento psicológico.
2 - Canetas de emagrecimento causam ansiedade?
Em algumas pessoas, sim. Principalmente quando associadas a medo de engordar, controle excessivo do corpo e expectativas irreais.
3 - Psicoterapia ajuda quem está usando caneta de emagrecimento?
Ajuda muito. A terapia trabalha crenças, emoções e comportamentos, prevenindo dependência emocional e recaídas.
4 - Como saber se estou emocionalmente dependente da caneta?
Se você sente pânico ao pensar em parar, acredita que não tem controle sem ela ou vive em função do peso, isso é um sinal importante.
5 - É possível emagrecer de forma saudável emocionalmente?
Sim. O emagrecimento sustentável envolve corpo e mente, com autonomia, flexibilidade e autocuidado — não apenas controle externo.
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DR. OSVALDO MARCHESI JUNIOR
Psicólogo em São Paulo - CRP - 06/186.890
Atendimentos Psicológicos On-line e Presenciais para pacientes no Brasil e no exterior.
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Hipnoterapia.
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