Ao longo da minha prática clínica como psicólogo cognitivo-comportamental, uma das frases que mais escuto — tanto de adolescentes quanto de adultos — é: “Eu sempre me esforcei mais do que os outros, mas parecia que nunca era suficiente.”
Em muitos desses casos, não se trata de falta de inteligência, desinteresse ou preguiça. O que está por trás desse sofrimento silencioso são os transtornos específicos de aprendizagem, como a dislexia, a discalculia e a disgrafia.
Essas condições afetam diretamente a forma como o cérebro processa informações relacionadas à leitura, à escrita e à matemática. Quando não são identificadas e compreendidas, podem gerar baixa autoestima, ansiedade, evitação escolar, dificuldades emocionais persistentes e até impactos na vida profissional na idade adulta.
Neste artigo, explico de forma clara e aprofundada:
• O que são os transtornos de aprendizagem.
• As diferenças entre dislexia, discalculia e disgrafia.
• Como funciona o diagnóstico.
• Quais são as possibilidades de tratamento.
• Como promover inclusão escolar e acessibilidade.
• Os principais mitos e verdades sobre a dislexia.
Tudo isso com base em evidências científicas, experiência clínica e uma linguagem acessível.
O que são os transtornos específicos de aprendizagem?
Os transtornos específicos de aprendizagem são condições de origem neurobiológica que afetam habilidades acadêmicas específicas, como leitura, escrita e matemática, mesmo quando a inteligência global está preservada e houve acesso adequado à escolarização.
Segundo os critérios do DSM-5, essas dificuldades:
• São persistentes.
• Não se explicam por deficiência intelectual.
• Não decorrem de problemas sensoriais, emocionais primários ou falta de ensino.
Em outras palavras, o cérebro aprende, mas aprende de um jeito diferente.
Transtornos de aprendizagem não são falta de esforço
É comum que crianças e adolescentes com esses transtornos sejam rotulados como:
• “Desatentos”
• “Relaxados”
• “Preguiçosos”
• “Desinteressados”
Na prática clínica, vejo o oposto: esforço excessivo, frustração constante e sensação de incompetência. Esse desencontro entre esforço e resultado é um dos principais gatilhos para sofrimento emocional.
Dislexia: O que é, sintomas e impactos
A dislexia é um transtorno de aprendizagem que afeta principalmente a habilidade de leitura e escrita, especialmente a decodificação das palavras.
O que é dislexia?
Do ponto de vista neuropsicológico, a dislexia envolve dificuldades no processamento fonológico, ou seja, na capacidade de:
• Reconhecer os sons da fala.
• Associar sons às letras.
• Automatizar a leitura.
Isso faz com que a leitura seja:
• Lenta.
• Cansativa.
• Cheia de erros.
• Pouco fluente.
Mesmo quando a pessoa compreende bem o conteúdo oralmente.
Resumindo, a dislexia é um transtorno de aprendizagem caracterizado por dificuldades persistentes na leitura e na escrita, especialmente na decodificação de palavras, apesar de inteligência preservada.
Principais sintomas da dislexia
Os sinais podem variar conforme a idade, mas os mais comuns incluem:
• Troca ou inversão de letras (b/d, p/q).
• Dificuldade para soletrar.
• Leitura silabada e lenta.
• Dificuldade de compreensão do texto lido.
• Evitação de atividades que envolvem leitura.
• Cansaço excessivo ao ler.
Dislexia em crianças e adultos
Um ponto importante é que a dislexia não desaparece com o tempo. O que muda são as estratégias de compensação.
Atendo muitos adultos que só descobrem a dislexia depois de anos de sofrimento acadêmico e profissional. Muitos chegam ao consultório dizendo: “Sempre achei que eu era burro. Só agora entendo o que realmente acontecia.”
Esse insight costuma ser profundamente libertador.
Discalculia: Quando a dificuldade está nos números
A discalculia é um transtorno de aprendizagem caracterizado por prejuízos significativos na habilidade matemática.
O que é discalculia?
Pessoas com discalculia apresentam dificuldades persistentes em:
• Compreender quantidades.
• Reconhecer números.
• Realizar operações básicas.
• Entender sequências e proporções.
• Lidar com problemas matemáticos do dia a dia.
Não se trata apenas de “ir mal em matemática”, mas de um funcionamento cognitivo específico.
Resumindo, a discalculia é um transtorno de aprendizagem que afeta a compreensão e o processamento de informações matemáticas, mesmo com inteligência preservada.
Impactos emocionais da discalculia
A matemática costuma ser socialmente associada à inteligência. Por isso, a discalculia frequentemente gera:
• Ansiedade intensa diante de números.
• Evitação escolar.
• Vergonha.
• Sensação de incapacidade.
Na TCC, trabalho bastante a ansiedade matemática e as crenças disfuncionais associadas (“sou incapaz”, “nunca vou aprender”).
Disgrafia: Dificuldades na escrita e expressão
A disgrafia é um transtorno de aprendizagem que afeta a habilidade de escrita, tanto no aspecto motor quanto na organização da linguagem escrita.
Características da disgrafia
Pessoas com disgrafia podem apresentar:
• Escrita ilegível.
• Dificuldade em organizar ideias no papel.
• Problemas persistentes de gramática.
• Lentidão para escrever.
• Dor ou cansaço ao escrever por longos períodos.
É comum que saibam se expressar oralmente, mas tenham enorme dificuldade em transformar pensamentos em texto.
Impacto emocional da disgrafia
Muitos alunos com disgrafia evitam:
• Redações.
• Provas discursivas.
• Atividades escritas em grupo.
Isso pode gerar isolamento, vergonha e queda significativa da autoestima.
Como é feito o diagnóstico dos transtornos de aprendizagem?
O diagnóstico dos transtornos de aprendizagem exige uma avaliação cuidadosa e criteriosa. Não se trata de um rótulo simples.
Avaliação multiprofissional
Na maioria dos casos, é necessária a atuação de uma equipe multiprofissional, envolvendo:
• Psicólogo ou neuropsicólogo.
• Fonoaudiólogo.
• Psicopedagogo.
• Neurologista (quando indicado).
• Professores e escola.
Essa avaliação considera:
• Histórico escolar.
• Desenvolvimento cognitivo.
• Linguagem.
• Atenção.
• Funções executivas.
• Aspectos emocionais.
O diagnóstico dos transtornos de aprendizagem deve ser feito por uma equipe multiprofissional, avaliando aspectos cognitivos, emocionais e educacionais.
Tratamento: O que realmente funciona?
Não existe cura para os transtornos de aprendizagem, mas isso não significa falta de tratamento. O foco é intervenção, compensação e qualidade de vida.
Intervenção multidisciplinar
O tratamento costuma envolver:
• Fonoaudiologia (leitura e linguagem).
• Psicopedagogia (estratégias de aprendizagem).
• Psicoterapia (aspectos emocionais).
• Adaptações escolares.
O papel da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Na psicoterapia cognitivo-comportamental, trabalho especialmente:
• Reestruturação de crenças disfuncionais.
• Redução da ansiedade escolar.
• Desenvolvimento da autoestima.
• Psicoeducação sobre o transtorno.
• Estratégias de enfrentamento.
Muitas vezes, o maior sofrimento não vem da dificuldade em si, mas da forma como a pessoa passou a se enxergar por causa dela.
Se você ou seu filho convivem com dificuldades de aprendizagem, a psicoterapia pode ajudar a reduzir o sofrimento emocional e construir novas formas de lidar com esses desafios.
Inclusão escolar de alunos com dislexia
A inclusão escolar é fundamental para o desenvolvimento acadêmico e emocional dos alunos com dislexia.
Medidas que colaboram para a inclusão
• Identificação precoce.
• Recursos de acessibilidade.
• Adaptação curricular.
• Capacitação docente.
• Estímulo à autoestima.
• Flexibilização de prazos e formatos.
A inclusão não significa facilitar o conteúdo, mas oferecer meios justos de acesso ao aprendizado.
Acessibilidade para alunos com dislexia
Algumas adaptações são essenciais e garantidas por lei em muitos contextos educacionais:
• Ledor, quando necessário.
• Transcritor.
• Tempo adicional em provas.
• Avaliações orais ou em grupo.
• Correção focada no conteúdo.
• Uso de recursos tecnológicos.
• Ambiente separado para avaliação.
• Possibilidade de gravação das aulas.
Medidas de acessibilidade para alunos com dislexia incluem tempo adicional em provas, ledores, transcritores, avaliações diversificadas e uso de recursos tecnológicos.
Mitos e verdades sobre a dislexia
Mitos sobre a dislexia
• O tratamento é feito apenas com remédios.
• Dislexia é falta de inteligência.
• Pessoas com dislexia não terão sucesso.
• É um problema passageiro.
• Requer apenas tratamento médico.
Verdades sobre a dislexia
• A principal dificuldade está na decodificação das palavras.
• Crianças com dislexia precisam de maior atenção na alfabetização.
• A dislexia é hereditária.
• Intervenções adequadas fazem grande diferença.
• O apoio emocional é fundamental.
Quando buscar ajuda profissional?
Alguns sinais de alerta incluem:
• Sofrimento emocional intenso.
• Evitação escolar ou acadêmica.
• Queda persistente da autoestima.
• Ansiedade diante de provas.
• Histórico de fracasso escolar apesar do esforço.
Buscar ajuda não é sinal de fraqueza, mas de cuidado.
Psicoterapia online para transtornos de aprendizagem
A psicoterapia online tem se mostrado uma alternativa eficaz para:
• Crianças.
• Adolescentes.
• Adultos.
• Famílias.
Ela permite acompanhamento contínuo, psicoeducação e intervenção emocional, independentemente da localização geográfica.
Se você chegou até aqui, talvez tenha se identificado — como pai, mãe, estudante ou adulto que sempre sentiu que precisava se esforçar mais do que os outros.
Transtornos de aprendizagem não definem inteligência, valor ou potencial. Com apoio adequado, é possível aprender, se desenvolver e viver com mais segurança emocional.
Como psicólogo cognitivo-comportamental, atendo online pessoas com dificuldades de aprendizagem e seus impactos emocionais. Agende uma sessão online e vamos entender juntos o que está acontecendo e como posso ajudar.
Perguntas Frequentes sobre Dislexia
1. Dislexia tem cura?
Não. A dislexia não tem cura, mas intervenções adequadas permitem melhora significativa da funcionalidade e da qualidade de vida.
2. Dislexia é considerada deficiência?
Depende do contexto legal. Em muitos casos, é reconhecida como condição que exige adaptações educacionais.
3. Adultos podem descobrir dislexia tarde?
Sim. Muitos adultos só recebem o diagnóstico após anos de sofrimento acadêmico ou profissional.
4. Qual profissional faz o diagnóstico de dislexia?
O diagnóstico envolve equipe multiprofissional, geralmente com psicólogo/neuropsicólogo e fonoaudiólogo.
5. Psicoterapia ajuda em transtornos de aprendizagem?
Sim. A psicoterapia ajuda a lidar com ansiedade, autoestima, crenças disfuncionais e adaptação emocional.
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DR. OSVALDO MARCHESI JUNIOR
Psicólogo em São Paulo - CRP - 06/186.890
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Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Hipnoterapia.
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