Já atendi crianças que choravam como se estivessem sendo abandonadas para sempre — mesmo sabendo que os pais voltariam em poucas horas.
Já acompanhei adolescentes que entravam em desespero quando o namorado demorava 20 minutos para responder uma mensagem.
E também adultos que evitavam viagens, promoções profissionais ou até relacionamentos por medo de ficarem sozinhos.
Em todos esses casos, o núcleo era o mesmo: ansiedade de separação.
Mas a ansiedade de separação não é apenas medo. Ela é o sistema de apego ativado em modo de emergência.
Neste artigo, vou integrar neurociência, teoria do apego, Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Terapia do Esquema para explicar de forma profunda e acessível:
• O que é ansiedade de separação
• Quais são os sintomas em crianças, adolescentes e adultos
• Como o cérebro reage à separação
• O papel do esquema de abandono
• Como a TCC trata esse padrão
• Quando procurar ajuda profissional
O que é Ansiedade de Separação?
A ansiedade de separação é um transtorno caracterizado por medo excessivo e persistente de afastamento de figuras de apego, gerando sofrimento intenso, sintomas físicos e comportamentos de evitação.
Segundo o DSM-5-TR, o diagnóstico envolve:
• Sofrimento intenso diante da separação
• Preocupação excessiva com perda ou dano à figura de apego
• Recusa em ficar sozinho
• Pesadelos com separação
• Sintomas físicos recorrentes
• Duração mínima de 4 semanas (crianças) ou 6 meses (adultos)
Ela pode ocorrer na infância, adolescência ou surgir na vida adulta.
Ansiedade de Separação é Normal ou é Transtorno?
É fundamental diferenciar o desenvolvimento normal do transtorno.
Quando é esperado?
• Entre 6 meses e 4 anos
• Início da escola
• Mudanças importantes (mudança de casa, nascimento de irmão)
Nessas fases, a ansiedade faz parte do desenvolvimento do vínculo.
Quando se torna transtorno?
• Sofrimento desproporcional à situação
• Prejuízo escolar, social ou profissional
• Sintomas físicos frequentes
• Evitação persistente
• Crises intensas
Quando a separação ativa pânico — e não apenas desconforto — estamos diante de um padrão disfuncional.
Neurociência da Ansiedade de Separação
Um dos pontos mais importantes — e menos explicados — é o que acontece no cérebro.
A amígdala: Detector de ameaça
A amígdala cerebral interpreta a separação como risco. Para cérebros vulneráveis, ausência significa perigo.
O eixo HPA e o cortisol
O hipotálamo ativa o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), liberando cortisol. Isso gera:
• Taquicardia
• Náusea
• Tensão muscular
• Dor abdominal
• Sensação de sufocamento
O córtex pré-frontal reduz atividade
Quando a emoção é intensa, a capacidade de raciocínio diminui. Por isso, frases como “vai ficar tudo bem” muitas vezes não ajudam.
Para o cérebro ansioso, separação não é ausência. É risco de sobrevivência.
Teoria do Apego: A Base do Medo
John Bowlby descreveu o sistema comportamental de apego como essencial para sobrevivência.
Existem quatro padrões principais:
• Apego seguro
• Apego ansioso
• Apego evitativo
• Apego desorganizado
A ansiedade de separação geralmente envolve hiperativação do sistema de apego — comum em estilos ansiosos.
O indivíduo aprende, de forma implícita:
“Preciso garantir proximidade para me sentir seguro.”
O Esquema de Abandono na Terapia do Esquema
Na prática clínica, muitas vezes identifico o esquema de abandono.
O esquema de abandono é a crença central de que pessoas importantes irão se afastar, rejeitar ou deixar o indivíduo sozinho.
Esse esquema gera:
• Hipervigilância relacional
• Busca constante por garantias
• Interpretação catastrófica de sinais neutros
• Sensibilidade extrema a atrasos, silêncios ou mudanças de humor
Exemplo clínico:
Gatilho: parceiro demora para responder.
Pensamento automático: “Ele está se afastando.”
Emoção: ansiedade intensa.
Comportamento: envio repetido de mensagens.
O comportamento reduz a ansiedade no curto prazo — mas reforça o padrão no longo prazo.
Ansiedade de Separação na Infância
Na infância, o cérebro ainda está em desenvolvimento.
A criança depende da co-regulação emocional dos pais.
Fatores que aumentam risco:
• Superproteção excessiva
• Pais ansiosos
• Perdas precoces
• Mudanças abruptas
• Ambiente imprevisível
Sintomas comuns:
• Recusa escolar
• Dor de barriga frequente
• Medo de dormir sozinho
• Pesadelos
• Necessidade constante de proximidade
Quando o padrão é mantido por reforço parental (ficar em casa sempre que chora), o ciclo se consolida.
Ansiedade de Separação na Adolescência
Na adolescência, a separação ganha novo significado.
O grupo social torna-se figura de apego.
A rejeição social ativa regiões cerebrais semelhantes às da dor física.
Por isso, frases como:
“Eles saíram sem me chamar.”
Podem desencadear sofrimento intenso.
No campo romântico, pode surgir:
• Dependência emocional
• Ciúmes intensos
• Necessidade constante de validação
• Medo extremo de término
Ansiedade de Separação em Adultos
Adultos não choram na porta da escola.
Mas podem:
• Evitar viagens
• Ter crises quando o parceiro sai
• Sentir pânico em mudanças profissionais
• Permanecer em relacionamentos insatisfatórios por medo de ficar sozinho
O núcleo é o mesmo: dificuldade em tolerar autonomia emocional.
O Ciclo Cognitivo-Comportamental da Ansiedade de Separação
1. Gatilho (separação real ou imaginada)
2. Pensamento automático catastrófico
3. Emoção intensa
4. Sintoma físico
5. Comportamento de busca de garantia
6. Alívio temporário
7. Reforço do padrão
Enquanto o comportamento de segurança continuar, o cérebro não aprende que consegue tolerar a separação.
Como a Terapia Cognitivo-Comportamental trata a Ansiedade de Separação
A TCC é considerada tratamento de primeira linha.
1. Psicoeducação
Explico ao paciente o funcionamento do cérebro e do sistema de apego.
Entender reduz culpa.
2. Reestruturação Cognitiva
Identificamos pensamentos automáticos como:
“Se ele não responde, algo ruim aconteceu.”
E trabalhamos alternativas mais realistas.
3. Exposição Gradual
Treinamos tolerância:
• Ficar sozinho por períodos curtos
• Reduzir mensagens de checagem
• Dormir fora
• Viajar
O objetivo é dessensibilizar o sistema nervoso.
4. Regulação Autonômica
Incluo:
• Respiração diafragmática
• Técnicas de relaxamento
• Mindfulness
Isso reduz ativação da amígdala.
5. Trabalho com Esquemas
Exploramos:
• Modo criança vulnerável
• Modo pai punitivo
• Desenvolvimento do adulto saudável
O foco é construir segurança interna.
O que mantém a Ansiedade de Separação?
• Evitação constante
• Superproteção
• Relações codependentes
• Busca excessiva por garantias
• Baixa autoestima
Sem intervenção, o padrão pode evoluir para:
• Transtorno de ansiedade generalizada
• Depressão
• Transtornos de personalidade
• Relações abusivas
Quando procurar Ajuda Profissional para Ansiedade de Separação?
Procure ajuda se houver:
• Sofrimento persistente
• Prejuízo funcional
• Crises frequentes
• Impacto significativo em relacionamentos
• Sintomas físicos recorrentes
Intervenção precoce melhora prognóstico.
A Ansiedade de Separação tem Cura?
Prefiro usar o termo tratável. O cérebro possui plasticidade.
Com intervenção adequada, é possível:
• Reduzir medo de abandono
• Aumentar autonomia emocional
• Construir vínculos mais seguros
• Desenvolver tolerância à ausência
O objetivo da terapia não é eliminar o apego. É transformá-lo em segurança interna.
Se você se identificou com este Padrão
Se você percebe que vive em estado de alerta quando alguém se afasta…
Se sente que o medo de abandono influencia suas escolhas…
Ou percebe que seu filho sofre intensamente com separações…
Talvez seu sistema de apego esteja hiperativado.
Na terapia, trabalhamos:
- Reestruturação cognitiva
- Regulação emocional
- Fortalecimento do adulto saudável
- Desenvolvimento de autonomia emocional
Realizo atendimentos online para adolescentes e adultos.
Se desejar, você pode agendar uma sessão de avaliação e compreender de forma aprofundada o seu padrão emocional.
Perguntas Frequentes sobre Ansiedade de Separação
1 - Ansiedade de separação é normal em crianças?
Sim, especialmente até os 4 anos. Torna-se transtorno quando é intensa, persistente e interfere na rotina.
2 - Adultos podem ter ansiedade de separação?
Sim. Pode persistir ou surgir na vida adulta, manifestando-se como medo de abandono e dependência emocional.
3 - Ansiedade de separação causa sintomas físicos?
Sim. Pode causar taquicardia, dor abdominal, náusea e tensão muscular devido à ativação do sistema nervoso autônomo.
4 - Qual o melhor tratamento para Ansiedade de Separação?
A Terapia Cognitivo-Comportamental é considerada tratamento de primeira linha, especialmente quando integrada ao trabalho com esquemas.
5 - Quanto tempo dura o tratamento para Ansiedade de Separação?
Depende da gravidade, mas muitos casos apresentam melhora significativa entre 12 e 20 sessões.
Entender sua mente é o primeiro passo para mudar sua vida. Veja como a TCC pode ajudar você a transformar sua forma de viver.
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DR. OSVALDO MARCHESI JUNIOR
Psicólogo em São Paulo - CRP - 06/186.890
Atendimentos Psicológicos On-line e Presenciais para pacientes no Brasil e no exterior.
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Hipnoterapia.
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