Segundo o DSM-V, para o diagnóstico do transtorno bipolar do tipo I, o indivíduo requer a manifestação de um episódio ou mais de mania.
Contudo, para o diagnóstico do transtorno bipolar do tipo II, o indivíduo requer a manifestação de um ou mais episódios depressivos, um episódio ou mais hipomaníacos e, sobretudo, nunca ter apresentado nenhum episódio maníaco.
Assim, caso o indivíduo apresente, somente mania, ele poderá receber o diagnóstico precoce de bipolar do tipo I, mesmo sem ainda ter tido nenhum episódio depressivo na vida.
Mas afinal de contas, qual é a diferença entre mania e hipomania?
A mania caracteriza-se por um período distinto de humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável, durante pelo menos uma semana, com a apresentação de três dos seguintes critérios:
- Autoestima inflada ou grandiosidade.
- Necessidade de sono diminuída.
- Maior necessidade de se expressar verbalmente.
- Fuga de ideias.
- Distrabilidade.
- Aumento da atividade dirigida a objetos.
- Envolvimento excessivo em atividades prazerosas com um risco potencial para consequências dolorosas (surtos de compras compulsivas e comportamentos hipersexualizados).
A Perturbação do humor deve ser, igualmente, muito grave a ponto de causar prejuízo acentuado no funcionamento profissional / pessoal do indivíduo ou para necessitar de hospitalização a fim de prevenir danos a si mesmo ou a outras pessoas, ou ainda, existem características psicóticas.
Os sintomas, também, não podem estar correlacionados a efeitos fisiológicos diretos de uma substância, um fármaco, de outro tratamento ou de uma condição médica geral (Ex: Hipotireoidismo).
Algumas características do transtorno bipolar tipo I:
- 30 a 50% dos pacientes apresentam sintomas psicóticos (relativamente breves, durante menos do que duas semanas).
- 40% dos indivíduos recebem inicialmente o diagnóstico de depressão unipolar.
- Quando tratados com antidepressivos estes pacientes apresentam episódios maníacos (efeito iatrogênico), uma vez que não se deve prescrever antidepressivos para pacientes bipolares da tipo I, às vezes apenas para bipolares do tipo II.
- A grande maioria não adere adequadamente ao tratamento farmacológico.
Transtorno bipolar tipo II - Hipomania.
Conforme mencionado, entretanto, para o diagnóstico do transtorno bipolar do tipo II é necessária a ocorrência de um episódio hipomaníaco, além da presença de um humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável, com duração mínima de quatro dias.
Além da presença de três dos seguintes critérios (mesmos critérios adotados para a mania, com a diferença da intensidade ou da gravidade da apresentação dos mesmos):
- Autoestima inflada ou grandiosidade.
- Necessidade de sono diminuída.
- Falar mais que o habitual ou pressão por falar.
- Fuga de ideias ou relato de experiência subjetivas de que os pensamentos estão correndo.
- Distrabilidade.
- Aumento da atividade dirigida a objetos.
- Envolvimento excessivo em atividades prazerosas com um risco potencial para consequências dolorosas (surtos de compras compulsivas e comportamentos hipersexualizados).
O episódio, também, precisa estar associado com uma inequívoca alteração do funcionamento, que não é característica da pessoa enquanto ela estiver assintomática. A perturbação do humor e a alteração no funcionamento necessitam ser observáveis por outros.
O episódio não pode ser suficientemente severo para causar prejuízo acentuado no funcionamento social ou ocupacional, ou para exigir a hospitalização, nem existem aspectos psicóticos. Os sintomas, igualmente, não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou de uma condição médica geral.
Prognóstico e prevalência dos transtornos bipolares.
Transtorno bipolar tipo I:
- Taxa de ocorrência - 0,4 a 1,6% da população.
- Ambos os gêneros (com homens apresentando maior tendência a mania, mulheres com maior tendência a episódios depressivos e também com ciclagem (mudança) mais rápida do humor).
- Idade média de aparecimento dos sintomas: 20 anos.
- Cerca de 60 a 70% dos episódios de mania ocorrem antes ou depois da existência de um episódio depressivo.
Transtorno bipolar tipo II:
- Taxa de ocorrência - 0,5% da população.
- Mais prevalente em indivíduos do sexo feminino. Contudo, pode também se manifestar em homens que apresentam, consequentemente, uma tendência maior a episódios hipomaníacos. As mulheres, no entanto, demonstram maior propensão a episódios depressivos e a ciclagem mais veloz do humor.
- Aproximadamente 60 a 70% dos episódios hipomaníacos manifestam-se antes ou depois da existência de um episódio depressivo.
- O intervalo entre os episódios hipomaníacos e depressivos, diminui significativamente com o decorrer da idade.
De acordo com inúmeros estudos recentes, justamente, devido à cronicidade dos transtornos bipolares, com o passar do tempo ocorre, de modo geral, um aumento dos episódios, porém com uma duração ou um intervalo que vai, aos poucos, diminuindo gradativamente o intervalo intercrises, ocasionando, deste modo, menos períodos de regulação emocional.
No que tange ao aspecto da hereditariedade, existe um componente genético significativo. A prevalência do transtorno bipolar em familiares é 10 vezes maior, sobretudo, em familiares de primeiro grau, com muitos genes envolvidos tornando o indivíduo mais vulnerável e predisposto a manifestação do transtorno.
Deste modo, a etiologia ou a causa do transtorno bipolar é multifatorial e engloba: fatores hereditários, hipóteses bioquímicas, eventos traumáticos ou estressores na vida e vulnerabilidade cognitiva no processamento das experiências.
Dentre os principais fatores estressores psicossociais, quatro deles, sobretudo, afetam e prejudicam o curso do tratamento da bipolaridade, sendo eles: o estresse familiar (famílias muito críticas ou invalidantes), as experiências negativas de vida (perdas e rupturas), o estilo cognitivo (autorreflexão prejudicada) e as perturbações do sono.
As principais comorbidades psiquiátricas relacionadas ao transtorno bipolar são:
- Aproximadamente metade dos indivíduos diagnosticados apresentam sintomas relacionados ao uso de substâncias (álcool, cocaína, maconha e outras drogas).
- Cerca de 60% apresenta, também, transtornos de ansiedade (pânico, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno obsessivo compulsivo e ansiedade social).
- Por volta de 33 a 50% dos indivíduos com bipolaridade apresentam algum transtorno de personalidade, sendo o mais frequente, entretanto, o transtorno borderline.
DR. OSVALDO MARCHESI JUNIOR
Psicólogo em São Paulo - CRP - 06/186.890
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Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Hipnoterapia.
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